Afinal, o que é esse tal de feminismo?

Entenda sobre as ondas do feminismo e toda a sua complexidade. publicado 19 de junho de 2017.

“O feminismo ainda é algo não totalmente fechado e estabelecido, mas acredito que seu objetivo principal seja buscar a equidade entre homens e mulheres, procurando combater os pequenos problemas de desigualdade de gênero até os maiores e mais graves como a violência física“, conta Tânia d’Arc, 26, estudante de Letras, quando questionada sobre a sua visão do feminismo. Mas, afinal, o que será que esse assunto considerado como tabu para a sociedade brasileira tem relação com você? O quanto influencia no dia a dia? 

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Quando surgiu o feminismo?

Há quatro principais ondas definidas ao longo da história do mundo moderno que classificam o feminismo e o seu desenvolvimento:

1ª onda –  Conquista de direitos

Surgiu no início do século XIX até o meio do século XX. A principal característica era o forte conteúdo político com a busca pelo direito de voto e de estudar em universidades, assim como tinham os homens. Teve início nos EUA e Inglaterra, espalhando-se pelo mundo logo em seguida.

2ª onda – Além da lei

A partir da década de 1960, já haviam alguns direitos conquistados pelas mulheres e com maior participação no mercado de trabalho. No entanto, surgiam novos questionamentos, como sexualidade, direitos reprodutivos, família e autonomia sobre o próprio corpo. Um grande marco da 2ª onda foi o livro de Simone de Beauvoir “O Segundo Sexo”, procurando compreender o lugar da mulher no mundo.

3ª onda – Empoderamento e diversidade

Assim como a 2ª onda, a terceira também vêm com questionamentos filosóficos e sociológicos. A partir da década de 1990, as pautas tratadas são as lutas de gênero que vão além do masculino e feminino, raciais e socioeconômicos. A filósofa norte-americana Judith Butler trouxe importantes questionamentos em seu livro “Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade”, publicado em 1990.

4ª onda – Internet e redes sociais

A quarta onda não é oficializada, porém muitas feministas discutem a necessidade de se dividir a terceira onda a partir do ano de 2015, ano que surgiram grandes movimentos e coletivos online com o objetivo de espalhar os princípios feministas e ajudar as mulheres a se empoderar e lutar contra o machismo, já que as redes sociais são a principal forma de comunicação nos dias atuais.

Feminismo Intersecional

O conceito foi dado pela professora norte-americana Kimberlé Crenshaw, em 1989. Segundo seu livro, não tem como encaixar a mulher em somente uma característica. Por exemplo, a mulher negra sofre tanto com o racismo quanto com o machismo. O ponto principal do feminismo intersecional é abraçar uma diversidade maior de mulheres e não somente brancas, de classe média, cisgêneras e heterossexuais.

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Empreendedorismo feminino

Em 2016, as mulheres passaram a ocupar 44% das vagas de trabalho no país, de acordo com o Ministério do Trabalho. As brasileiras exercem, em média, cinco horas a mais por semana que os homens e mesmo assim, há disparidade salarial quando se trata do mesmo cargo ocupado por uma mulher e um homem. Faça uma análise: pense nos cargos de chefia, na política e no mundo business. Quem você costuma ver ocupando esses cargos?

“Eu vejo esse momento como aquele grande pontapé onde as empreendedoras possam inovar. E isso tem acontecido. Isso estimula nós, empreendedores, homens e mulheres. E mais ainda as mulheres, porque nós não podemos parar aqueles exemplos, as nossas conquistas ao longo dos anos. Nós estamos tendo a oportunidade de correr  atrás e fazer acontecer”, conta Janine Soares de Brito, 53, advogada e empresária, sobre a crise econômica e o mercado de trabalho tem lidado com as empreendedoras. 

Definições estereotipadas

Ao longo da história, os estereótipos surgem para definir de forma superficial, um determinado grupo social como representação de uma realidade. O feminismo também foi – e continua sendo – alvo dessas visões. Queimar o sutiã, não se depilar ou ter uma aparência “masculinizada” continuam sendo utilizados como argumento para estereotipar as feministas.

Carolina Sandler, CEO do site Finanças Femininas, conta sobre sua experiência como empreendedora feminista. “A grande maioria das feministas não parecem com aquele estereótipo da feminista. Comecei e continuo com a filosofia de contratar só mulheres, porque eu acho que isso é um negócio para mulheres, que precisa entender muito as dores e os desafios de ser mulher para poder crescer. […] É um negócio feminista”, enfatiza.

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Carolina Sandler, CEO do Finanças Femininas

Sala de aula

Os grupos e coletivos feministas invadiram as universidades públicas e privadas do país. A internet contribuiu para que isso acontecesse, de forma que o conteúdo, as práticas e ações permanecessem nas salas de aula. Autoras feministas, grupos de apoio como a aceitação do próprio corpo e imagem são algumas das pautas abordadas. “Acho que os coletivos são importantes, pois faz com que um grupo de mulheres se una dando força umas às outras, além de tentar fortalecer e se solidarizar também com as mulheres que estão fora do grupo e as que muitas vezes nem sabem do que se trata o feminismo”, conta Tânia d’Arc.

A antropóloga e professora universitária, Isabela Oliveira, propõe que o feminismo se expanda para além da sala de aula. “Acho que o feminismo precisa se abrir, no ponto de vista universitário, temos movimentos interessantes, inclusive das feministas negras, criticando as acadêmicas e as feministas brancas. Então a questão é que precisamos avançar ainda mais, o feminismo precisa incluir mulheres pobres, analfabetas… Inclusive as que não se identificam como feministas”, explica. Esse feminismo intersecional é considerado como última onda, e o que está mais em voga nas discussões contemporâneas, nas pesquisas sobre o futuro do feminismo e toda sua complexidade.

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Isabela Oliveira, antropóloga e professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo

Política

O Brasil ocupa o 155º lugar no ranking de mulheres na política, de acordo com o Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI). O Parlamento brasileiro é composto só 10% pela presença feminina e a ex-presidenta Dilma Rousseff foi a personalidade mais emblemática desse cenário. Para a historiadora Rosana Schwartz e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, aumentar esse número é um dos primeiros feitos que o feminismo deve propor. Nós só vamos ter ações pontuais de políticas públicas dentro do espaço urbano se nós tivermos um olhar feminino. Já aumentamos o número de mulheres que defendem o feminismo. Porque você ter mulheres no campo da política não quer dizer que elas sejam feministas, muitas das mulheres se candidatam porque são parentes de políticos e ela acaba não tendo esse olhar que nós precisamos”, completa.

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Depois de todo esse textão, você chegou a uma conclusão sobre o feminismo? Comenta aí sobre o que achou. Até mais!

 

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